Visão Geral
Você montou um fluxo no Make, ele funcionou, e no dia 12 do mês a franquia acabou. A culpa não é do plano — é do desenho. As duas ferramentas mais usadas para automação contam coisas diferentes: o n8n cobra por execução de workflow, o Make cobra por chamada de módulo. O mesmo fluxo de 40 passos custa 1 execução num e 40 créditos no outro. Quem não sabe disso desenha o fluxo certo na ferramenta errada e depois culpa o plano, o cliente, ou a própria sorte.
Este capítulo instala a decisão que vem antes de qualquer clique: a unidade de cobrança. Entender ela muda onde você monta cada automação e quanto você cobra do cliente. Não é detalhe de fatura — é a diferença entre entregar um serviço que se paga e um que come o lucro em silêncio.
Conceitos-Chave
O n8n cobra por execução de workflow. Uma execução é uma passada completa do gatilho até o fim, e os passos dentro dela são ilimitados — a própria página de planos, lida em 17/08/2026, diz "workflow executions with unlimited steps". Ou seja: um fluxo com 10, 40 ou 100 passos custa a mesma coisa, desde que rode uma vez. O que pesa é a frequência, não o tamanho.
O Make cobra por chamada de módulo. Cada módulo que executa consome créditos, e a regra é 1 operação = 1 crédito, independente do tamanho do dado (help.make.com, 17/08/2026). Um fluxo de 40 passos custa 40 créditos por rodada. Se ele roda 100 vezes por dia, são 4.000 créditos — a franquia do mês inteiro em um dia.

A consequência aritmética é direta: fluxo longo e pouco frequente favorece o n8n; fluxo curto e muito frequente exige fazer a conta nas duas. Não existe "a melhor ferramenta". Existe o fluxo que cabe no seu plano. A regra de bolso: desenhe o fluxo, conte os passos, estime a frequência, e só então escolha a ferramenta.

Fluxo de Execução
- Liste os passos do seu fluxo, do gatilho ao último módulo. Não pense na ferramenta ainda — só no que precisa acontecer. Inclua etapas escondidas como "buscar lead", "enriquecer", "enviar e-mail".
- Estime a frequência real. Quantas vezes por dia, por semana, por mês esse fluxo dispara? Use o número do cliente, não o seu desejo. Se for um relatório mensal, são 12 execuções por ano; se for lead novo, pode ser 50 por dia.
- Calcule o custo no n8n: 1 execução por rodada, com todos os passos dentro. Depois no Make: número de passos × número de rodadas = créditos por mês. Compare com o limite do plano que você tem ou vai assinar.
- Compare os dois resultados com o preço real de cada plano. O n8n cobra em euro na página oficial; o Make em créditos. Converta para o seu custo mensal. Se um plano custa R$ X e o outro R$ Y, o que cabe no contrato do cliente?
- Redesenhe se o número estourar. Fluxo curto e frequente pode ser quebrado em dois fluxos menores; fluxo longo e raro pode ficar no n8n sem medo. A ferramenta é consequência do cálculo, não o contrário.

Cenários Aplicados
Cenário 1: o relatório mensal que come crédito à toa. Júlia montou um fluxo no Make que gera um relatório de faturamento para uma clínica. São 35 módulos: busca no banco, formata, envia por e-mail, atualiza planilha. Roda uma vez por mês. Custo no Make: 35 créditos por mês. Custo no n8n: 1 execução por mês. No plano gratuito do Make, isso consome créditos que poderiam ser usados em automações mais frequentes; no n8n, é uma única execução entre as disponíveis. O fluxo funciona nas duas, mas o n8n deixa a franquia do Make livre para o que importa. Júlia moveu o relatório para o n8n e o cliente nem percebeu a diferença — só a fatura ficou mais leve.
Cenário 2: o lead novo que estourou no dia 12. Júlia tinha um fluxo no Make que tratava cada lead novo: 12 módulos (captura, enriquece, notifica, agenda). A clínica recebe 30 leads por dia. 12 × 30 × 30 = 10.800 créditos por mês. A franquia do plano gratuito do Make estourou no dia 12, antes do fim do mês. No n8n, seriam 900 execuções por mês (30 × 30), um número que cabe na franquia do plano gratuito. Júlia refez o fluxo no n8n, mas o gatilho do Make continuava consumindo créditos de teste. Ela aprendeu: desenhar antes, calcular antes, e só então montar.

Erros Comuns
- Confundir crédito com execução. Você acha que "1 crédito = 1 vez que roda", mas é 1 crédito por módulo. Um fluxo de 20 passos roda 20 créditos por vez. Verifique a contagem na tela do Make antes de assumir.
- Desenhar no Make porque a tela é fácil. A facilidade não paga a franquia. O n8n tem curva de aprendizado maior, mas o custo por execução pode ser menor para fluxos longos. Decida pelo número, não pela familiaridade.
- Ignorar módulos que consomem mais de 1 crédito. Alguns módulos de IA do Make custam "mais de 1" crédito, mas a página não diz quanto. Se o seu fluxo tem um passo de IA, o custo real é maior do que o número de passos sugere. Teste com um fluxo pequeno antes.
- Não contar retries e testes. Cada tentativa de execução conta como uma execução nova. Se o fluxo falha e tenta de novo, são duas execuções no n8n, dois créditos no Make. O custo real inclui as falhas.
- Culpar o plano quando o problema é o desenho. Cada plano gratuito tem limites diferentes — e o seu fluxo pode estourar um e não o outro. Se estourou, a pergunta é "quantos passos e quantas vezes roda", não "qual plano comprar". Redesenhar sai mais barato que assinar o plano pago.

Dica Pro: Antes de montar qualquer fluxo, faça a conta em 2 minutos: número de passos × rodadas por mês. Se o resultado passa de 80% da franquia do plano gratuito, o desenho precisa mudar — ou a ferramenta. Esse cálculo é a diferença entre um serviço que se paga e um que come o lucro.

Exercício Prático
Pegue um fluxo que você já montou no Make — pode ser o da Júlia ou um seu. Liste todos os módulos, conte os passos e estime quantas vezes ele roda por mês. Calcule o custo no Make (passos × rodadas) e no n8n (1 execução por rodada). Compare com os limites do plano gratuito de cada um. Pronto quando você tiver um número na mão e souber dizer qual ferramenta é mais barata para aquele fluxo específico — e por quê.
Checklist de Implementação
- Sei explicar a diferença entre execução de workflow e chamada de módulo.
- Consigo calcular o custo mensal de um fluxo nas duas ferramentas em menos de 5 minutos.
- Identifico quando um fluxo longo e raro deve ir para o n8n e quando um curto e frequente exige conta.
- Sei que alguns módulos de IA custam mais de 1 crédito e que preciso testar para saber o valor real.
- Consigo defender para um cliente por que a escolha da ferramenta muda o preço do serviço.
Resumo do Capítulo
- O n8n cobra por execução de workflow, com passos ilimitados dentro dela.
- O Make cobra por chamada de módulo: 1 operação = 1 crédito, independente do tamanho do dado.
- Um fluxo de 40 passos custa 1 execução no n8n e 40 créditos no Make.
- A regra de bolso: fluxo longo e pouco frequente favorece o n8n; fluxo curto e muito frequente exige fazer a conta.
- Agora que você sabe o que cada ferramenta conta, o próximo passo é entender por onde um fluxo quebra — no capítulo 2, "Anatomia de um fluxo: gatilho, passos e o dado que atravessa".
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